Um Obama pra chamar de seu

Seria uma baita idiotice eu dizer que fiquei interessado em saber mais sobre Barack Obama pois descobri que ele ouve Rolling Stones? Ah, e também Earth, Wind & Fire, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Sheryl Crowe e Jay-Z. Claro que sair por aí falando que tipo de música você ouve é bom, te aproxima de quem tem um gosto parecido e, logo, o candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos já tinha o apoio de vários músicos. “Músicos são mais inclinados à idéia de mudança”, disse o presidenciável à revista Rolling Stone desse mês.

As opiniões dele me chamaram bastante atenção. O apoio de músicos e o fato de ser negro levam a perguntas sobre as letras de rap e hip-hop. Barack é categórico ao afirmar que, por definição, o rock é a música da rebeldia. Se ele não for criticado, não está fazendo seu papel. Rappers são bons homens de negócios, mas é injusto culparem o estilo por destruir valores familiares sozinho.

Ele tem um plano de investimentos a longo prazo em combustíveis e geradores de energia alternativos que deverá reduzir a emissão de carbono dos Estados Unidos em 80% até 2050 se seguido à risca. Obama teve the fucking balls de basear sua campanha em questões ambientais e sociais. São os assuntos mais delicados de se tratar. “Durante o período em que os republicanos tinham a maioria no Congresso, as empresas petrolíferas literalmente escreviam a legislação energética e as empresas de medicamento as do setor”, disse. E quem viu “Fahrenheit 9/11” (Michael Moore, 2004) sabe que isso existe mesmo – é tudo uma grande jogo de interesse pessoal e há lobistas por todos os lados. “Estamos basicamente num governo New Deal em uma economia do século 21. Precisamos de um upgrade”. Fazer lobby é muito lucrativo, Obama vai pisar no pé de big guys, mas é agora ou nunca, né?

Outra questão delicada onde Obama permanece calmo é o casamento gay. Ele não estabelece relações simplistas entre grupos (“Porque é fácil cair em um concurso sobre vitimização”, diz) mas acredita em uniões civis que garantam todos os direitos. Assim, mesmo que a sociedade ainda tenha problemas em aceitar isso – por questões variadas – já há um consenso, pelo menos, no que diz respeito a coisas como benefícios de seguro social e visitas em hospitais. Com esse consenso crescendo, logo logo o restante muda. A cultura está mudando.

Barack Obama está se saindo o pai do otimismo. Ele acredita no povo norte-americano mais que o próprio povo talvez. Mas é que, pela primeira vez em tempos, querem saber mais para onde o presidente vai levar o país do que querem saber sobre “o” presidente, e sua vida e blá blá blá. Acho incrível isso. Eu tirei meu título de eleitor no dia seguinte ao meu aniversário de 16 anos e tenho soltado suspiros atrás da urna eletrônica quando percebo que estou votando no candidato menos pior. Quero um Obama aqui. Eu super votaria nele.

Para ouvir depois de ler: Bruce Springsteen – The Rising

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