Os 11 anos de Ray of Light

O álbum “Ray of Light” comemora mais um ano de vida hoje e já é mocinha, soprando 11 velinhas. E não acho que é necessário dizer como eu gosto dele, afinal, um elemento da capa está tatuado no meu ombro. Mas acontece que este ainda é meu CD favorito de Madonna.
Lançado em 1998, Madonna, logo ela, vai na contramão do pop chiclete de boybands e cantoras teens da época e aposta em uma sonoridade completamente diferente e canções com temas delicados. A pegada eletrônica transformava qualquer barulinho em ritmo e formava camadas que cobriam bases acústicas formando boas músicas que iam do mid-tempo ao dance.

Com a voz trabalhada depois do musical “Evita”, a cantora alcança notas mais altas e se mostra muita mais versátil, entoando mantras e apresentando músicas que tinham tanto gritos quanto cochichos. Madonna tinha dado à luz sua primeira filha e para recuperar a forma começou a fazer yoga. Cheia de perguntas sobre o universo – afinal, ter um filho é explicar para ele o sentido da vida e isso não é algo fácil de fazer se nem você o entende – ela começou seus estudos de Cabala. E está tudo lá, nas letras dessas músicas que para mim, em resumo, conceituavam o que era maturidade.

Madonna se revela solitária na faixa de abertura, “Drowned World”, e medrosa em “Mer Girl”, última canção do disco que é, na verdade, um poema sobre a morte de sua mãe, simplesmente recitado. Fala sobre orgasmos em “Candy Perfume Girl”. Reflete sobre violência e otimismo em faixas como “Swim” e “Sky Fits Heaven”. Já em canções como “Skin”, “To Have and Not to Hold” e “The Power of Good Bye” fala sobre relacionamentos e perdas – e as duas últimas apresentam melodias que lembram Astrud Gilberto. Fala da maternidade em “Little Star”, claro, e ainda canta na língua sagrada da Índia, o sânscrito, na faixa “Shanti/Ashtangi”.

Ela teve a manha de escolher William Orbit e Patrick Leonard como produtores. Dois caras incrivelmente criativos e com propriedade para o que ela queria. O primeiro na experimentação eletrônica e o segundo nas letras (ele também escreveu “Like a Prayer”, por exemplo).

Na época que o álbum alcançou minhas mãos (ou seria o contrário?) eu estava em uma fase muito peculiar. Eu já tinha começado a ler sobre Cabala, mas era um CD muito cheio de poesias e extremamente tocante – especialmente se ouvido com fones – e vi como era necessário ir mais fundo. Comecei a fazer yoga e análise e, tendo “Ray of Light” como marco inicial, minha vida mudou completamente. Ninguém pode medir isso.

Com a incrível marca das 15 milhões de cópias vendidas e 4 Grammys, o álbum teve bons clipes, com destaque para o melancólico “Frozen“, o agitado “Ray of Light” e o artístico “Nothing Really Matters”, com uma releitura das duas personagens principais do livro “Memórias de uma Gueixa”, de Arthur Golden.

E é por isso tudo que ele continua sendo meu favorito.

Ah, o desenho da capa é o símbolo de uma árvore. Trata-se de um ícone de equilíbrio entre o mundo espiritual (galhos) e o material (raízes).

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