Cabeleira do Zezé

O povo não entende que viado é um xingamento muito pesado, achando que faz referência ao animal. Mas o animal é o veado. “Viado” vem da palavra “transviado”, e virou sinônimo de homossexual em 1964, com a marchinha de carnaval “Cabeleira do Zezé”, que questionava a sexualidade de um homem de cabelos longos e promove um ato de extrema violência psicológica: cortar o cabelo de uma pessoa contra a vontade dela. É o mesmo ato que várias travestis e transsexuais sofrem quando são espancados na rua ou pela polícia, um ato com o objetivo de diminuir a pessoa e fazer com que ela se encaixe nos conceitos que outras pessoas têm sobre o que ela devia ser.

Então, chamar de viado é chamar de transviado, ou seja, perdido, sem rumo, deslocado, fora dos planos etc. Dependendo do contexto, do interlocutor e do tom, parece que você está falando que a pessoa tem uma doença, um defeito, um distúrbio – e isso, qualquer conselho de psicologia e pessoa de bom senso sabe que é falso.

Da mesma maneira, várias outras palavras podem assumir papel de xingamento extremamente rude, preconceituoso e ofensivo também de acordo com seu contexto, interlocutor e tom. Palavras como “galinha”, “bicha”, “vaca” e “pitizento”, por exemplo.

Deu vontade de escrever sobre isso hoje.

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4 comentários em “Cabeleira do Zezé

  1. Eu ODEIO quando alguém fala viado ou bicha perto de mim, dá vontade de gritar! Acho a maior falta de respeito. Pior um amigo meu gay que fica me chamando de sapata apesar de eu ter falado centenas de vezes que eu não gosto que me chame assim.=(

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  2. sei lá, eu já fui bem encanado com isso.acho que hoje só me incomoda de verdade quando ouço de algum familiar (que gosto) ou de algum amigo que não sabe – não sou assumido, logo, acontece muito.não discordo de você, mas para mim às vezes conta mais a forma como é dito. às vezes até acontece de eu chamar alguém de viado, achando que é brincadeira, sabe, e depois sempre fica aquela sensação de "way to go, you big fat hypocrite".e tipo, descendente de imigrantes, negro e gay (pra um minoria-ultra-master-combo só faltava eu ser nordestino e judeu), eu já to vacinado há anos contra esse tipo de ofensa.tá, outra vez o meu comment não acrescenta em nada, hahaha.

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  3. Gabriel,aqui é o Bruno, do Pedreira na Vidraça.Peço desculpas pela piada infame quanto à Parada, a intenção era fazer um jogo de palavras, do qual não obtive sucesso. Em respeito a você, cujo comentário foi deevras pertinente, retirei a brincadeira do post.Obrigado pela participação no blog. E fique à vontade para comentar sobre aquilo que vc gosatria de ver postado.Grande abraço,Bruno Vieirabvsantos@gmail.com

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