DR

Ao meu redor vejo relacionamentos amorosos de todos os tipos. Novos, longos, à distância, abertos e bem fechados. Todo mundo que está sozinho, uma hora ou outra, acha alguém. Mas e o que acontece depois? Sim, pois achar alguém é o fim de uma fase e apenas o começo de uma outra.

E aí está também o começo do problema de muita gente. De um lado, não é porque amamos que temos que suportar tudo. Intimidade não é tortura. De outro, qual o limite de intimidade possível? O quanto é intimo demais? Isso, se é que tal conceito existe!

Acontece que escolher o amor não é o mesmo que escolher a paz. Na verdade, amor está mais para guerra. As pessoas associam casamento e amor verdadeiro a romance, mandar flores, jantares românticos à luz de velas e até coisas mais profundas, como trazer filhos ao mundo. Mas o romance vai e volta. Uma hora seu marido ou sua esposa são melhores amigos e outra hora eles estão na casa do cachorro.

Então, confundimos discutir um problema com discutir a relação. A grande maioria de nós vive num movimento pendular de tudo ou nada, vida ou morte, amor eterno ou rejeição aguda, dedicação total ou rompimento. Será que relacionamento é esse conjunto de sobressaltos? Esquecer uma data, não dar presentinhos todo dia, não poder conversar quando o celular toca no trabalho, essas são coisas normais.

É verdade que em alguns casos precisamos mesmo discutir a relação e os hábitos. E isso deveria ser encarado como uma coisa positiva! Assinalar diferenças é sinônimo de compreender o outro, suas neuras e sonhos, de se colocar no lugar dele – com os olhos dele – e, muitas vezes, de se comprometer com um futuro de interesses mútuos.

Todo mundo que está acompanhado precisa respirar e permitir que o outro tenha seu espaço, sua hora de fazer suas coisas. E, claro, se permitir e se acostumar a tê-lo também. Por mais feliz que você esteja com essa pessoa, vai me dizer que você não gosta de poder ficar em casa um sábado comendo porcaria e ouvindo música brega bem alto usando roupas velhas?

O que faz tudo funcionar é a habilidade de um amar o outro incondicionalmente. E não há nada de romântico em amar alguém incondicionalmente. É um trabalho duro, é a coisa mais difícil do mundo. É como o homem que me disse que não tem motivos para amar sua esposa, ele a ama porque ama. Pois com “motivos” ele quer dizer os motivos exteriores. Não é só porque ela é bonita, talentosa, rica, nenhuma dessas coisas físicas. Ele ultrapassou essas coisas e a ama só porque ele a ama. Isso é amor em nível de alma.

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Um comentário em “DR

  1. O principal problema dos relacionamentos é a necessidade de atribuir ao outro a condição de felicidade, amor, vida…É como se abdicar o "eu" individual e dar ao outro a responsabilidade de supri-lo.

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