Scott Pilgrim, seu lindo

Depois de muita enrolação, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” não chegou aos cinemas brasileiros como um filme bem distribuído. Mas sabemos que isso não impede ninguém de nada. (Como é de praxe hoje em dia, consegui assisti-lo baixando ilegalmente pela internet. Legendado, com qualidade de DVD e tudo. Chupa essa, Paramount).

A premissa é simples: um menino no final de sua adolescência, naquela fase em que o que é considerado infantil e maduro se mistura, está querendo uma garota nova na cidade. Trata-se de Scott Pilgrim e Ramona Flowers. A parte da fantasia da história entra quando percebemos que, além de se apropriar de muitos recursos dos quadrinhos, o filme usa ícones de vídeo-game para descrever a tarefa máxima do longa: Scott deve derrotar os sete ex-namorados malvados da moça.

É igual na vida real, onde a bagagem do outro acaba perseguindo os dois, mas o longa é gênio na maneira que trata isso. É um épico para quem nunca participou de protestos importantes ou deixou a família para trás e foi pra guerra. É a aventura máxima de quem foi criado em casa, no seu quarto, querendo distância dos pais, jogando games e vendo TV. Por isso dialoga de forma tão precisa com seu público alvo. Todo nós nos sentimos como ele alguma vez na vida: quando nos sentimos menores do que os ex-namorados da pessoa que está com a gente agora, quando não sabemos o que falar para a nova namorada diante da antiga, quando começamos a gostar de outra pessoa enquanto ainda estamos com outra, quando trabalhamos juntos da ex etc.

É fantasioso, claro, mas exatamente por isso muito divertido. Tem muita luta e a dor dos socos são reais, mas não adianta sangrar muito pois é só dar reset que a luta começa de novo – boa metáfora para a vida real, não? Mas o roteiro é bom, as piadas são boas e a edição é brilhante – sério, esse filme precisa levar algum prêmio de montagem, pois é uma mistura muito linda de Matthew Vaughn e Michael Gondry. E a trilha? Tem Beck, Broken Social Scene, T. Rex, Rolling Stones, Black Lips e Metric.

A história é de Scott, Ramona e dos ex-namorados, no máximo. Mas todos os personagens secundários são ótimos. A ex-namoradinha chinesa, os membros da banda, o roomate gay – e sua habilidade incrível de digitar SMSs. “Scott Pilgrim” entra na lista dos melhores filmes, digamos, nerds. Junto com “Superbad”, “Kick-Ass” e outros assim, inocentes diante da gama de filmes bem mais importantes lançados ao mesmo tempo, mas que marcam a gente pois fazem uma crônica muito bem feita da rotina e das fantasias de uma geração.

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