Mea culpa

Quando me formei, escrevi um texto falando dos meus professores chatos. Acho que ele foi respeitoso com eles na mesma medida que eles foram comigo, ao longo do curso. A questão é que era só mais um textinho no meu blog pessoal que ninguém lê, mas o negócio causou uma comoção maior e muito interessante.

Um dos professores citados é tão babaca que comentou anonimamente no tal post, chamando de “estagnação mental” eu seguir por 4 anos estudando numa instituição que eu criticava tanto – provavelmente esquecendo que ele é um bom exemplo da mesma coisa, já que trabalha lá há muito mais tempo (minha mãe tem mais de 25 anos de formada e ele foi professor dela!).

Além disso, ele falou sobre o meu blog na sala de aula – com xingamentos bem pessoais dirigidos à mim – e tentou juntar outros professores para me processar na justiça. E, o pior, achou que eu não ia ficar sabendo de nada disso. Até hoje penso como teria sido muito, muito divertido que os professores se juntassem mesmo contra mim. Consigo ler as manchetes no jornal e nos sites de notícias e a vergonha pública da instituição e do próprio currículo deles, meu texto sendo replicado em vários outros lugares e o meu blog sendo super acessado. Enfim, não aconteceu. Uma pena!

Mas a parte mais boba é o comentário anônimo, claro, pois eu dei nome aos bois e assinei o texto. Ele não foi homem o suficiente para isso? Agora, passado o ocorrido, achei melhor ir lá e apagar os nomes das pessoas do texto – afinal, elas mesmas já leram, então tanto faz. Mas é importante falar que metade dos citados naquele texto estão, hoje, fora da faculdade. Não é coincidência, é a prova de que minhas reclamações têm algum fundamento. Todos muito bem colocados no mercado, claro, pois ter contato é tudo e gente chata só cai pra cima, mas estão fora de lá.

E olha, nem precisa ter frequentado faculdade para saber o seguinte: reclamar de uma professor durante a gestão dele é suicídio. A vingança sempre se refletirá nas suas notas e no grau de dificuldade da disciplina que, sem mais nem menos, vai aumentar (por isso o desabafo ter vindo depois do diploma mostra imaturidade, mas também uma esperteza compreensível). Isso quando não é o próprio coordenador do curso quem defende a professora antiquada dizendo que “ela não pode ser demitida pois trabalha na instituição há 20 anos e não será um bando de calouros que irá tirá-la de lá”. É, eu ouvi isso sair da boca dele. A profissional que não se atualizou era mais importante para a faculdade do que os alunos que mantêm a faculdade. Legal, né?

Outra coisa interessante daquele texto é que fiquei sabendo a reação de alguns colegas. Todos eles carregam provas e são testemunhas dos fatos, mas, claro, têm impressões diferentes. Isso é normal. O curioso é que alguns adoraram o texto e acharam tudo hilário, outros discordaram com tanta raiva que só consigo imaginar um cenário: o da carapuça que serve. Afinal, quando falei dos outros alunos, não citei nomes. Caso tenham se ofendido, me desculpem, estou aqui para conversar se quiserem, mas saibam que a culpa é mais de vocês do que minha.

Mas o texto causou um problema maior que todos esses. A proporção que ele tomou deu a impressão de que eu tinha odiado o curso e o corpo docente. Isso sim é uma mentira. Eu gostei muito e foi uma experiência que levarei para sempre. Mas senti que ofusquei meus professores brilhantes falando apenas daqueles que, na verdade, não mereciam nem palavras. Vou agradecer sem nomes – os inocentes pagam pelos pecadores – mas realmente sinto o que escreverei à seguir.

Meu professor e orientador de conclusão de curso iluminou bem o meu futuro. Me deu condições mais do que suficientes para que eu visse o que queria ser, com o que eu queria trabalhar e muitas outras coisas que ele nem faz ideia. As professoras das matérias semiótica e sociologia simplesmente mudaram minha vida e continuarão sendo mentoras. Eu nunca mais vi o mundo e nenhum ser humano da mesma maneira e faltam-me palavras para dizer como eu gostaria de morrer tendo, pelo menos, metade da genialidade delas.

Minha professora de jornalismo online, querida, foi outra assim. Além de ter me ajudado a conseguir meu primeiro estágio, virou coordenadora do curso perto da hora que eu estava para sair da faculdade e lidou muito bem com os trâmites e o apocalipse que são greves de professores e faculdade sendo vendida. Deve ter sido a melhor coordenadora que este curso já viu e fico triste de não ter experimentado em primeira mão ela na coordenação.

Sem mais no momento.

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2 comentários em “Mea culpa

  1. Mesmo chocada com as proporções do seu post (não fazia ideia), não fico exatamente surpresa. E não consigo entender tanta tempestade em copo d'água porque toda faculdade, até onde eu saiba, tem professores excelentes mas também os péssimos, independente do curso ou de ser uma universidade privada ou pública. Eu passei por duas faculdades, estou passando pela terceira agora com o Mestrado e continuo tendo críticas e elogios a fazer, mesmo estando estudando do outro lado do mundo agora, em um chamado "país de primeiro mundo". E um jornalista ter o direito de expressar o que pensa em seu blog pessoal deveria ser, no mínimo, natural, independente do assunto. Nada impede comentários discordantes, opiniões completamente opostas, mas não vejo mesmo o porquê de tanto bafafá.

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