Ode ao divórcio

No final do ano passado fiz uma dessas viagens com muitas escalas na ida e na volta. Na primeira delas, vi um casal de marido e mulher que me chamou atenção por serem meio parecidos, meio gordinhos, e com um filho gordinho também. Eles correram de um lado pro outro da sala de embarque, confusos. O homem conferiu o seu bilhete com o que estava escrito na tela com os horários dos vôos e disse que a TV estava com as informações erradas. “A TV, né?”, perguntou ela. “Não é você, não? Seu palhaço!” Me espantei com a fala dela, inesperada, e desviei o olhar meio constrangido.

Já na volta, no último vôo, vi um outro casal. Eles estavam com dois bebês que não pareciam ter mais que 6 meses e com uma menina que devia ter uns 6 anos. Uma tarefa e tanto viajar com essa galera! A filha estava comendo um bombom enquanto aguardávamos o avião e sujou um pouco o rosto. A moça foi limpar a cara da criança mas, enquanto fazia isso, não olhava para ela e sim parar o marido, dizendo: “Esse seu pai, vou te contar, tem cada ideia de girico”. Novamente me assustei um pouco. Deduzi que, para acalmar a espera, o homem comprou o doce para a garota, o que desagradou a mãe.

Bom, o que concluir dessas duas observações? Não sei bem. Mas as vi como duas grosserias meio gratuitas. Pode ser que não tenham sido, “convivi” com esses casais por 5 minutos, mas deu essa impressão. A de que a intimidade deu lugar à falta de educação e, pior, de que não tinha problema eles se tratarem assim na frente de seus filhos.

Lembrei na hora de vários outros casais que já conheci, pais de amigos, por exemplo, que estavam ou estão claramente presos em um casamento sem amor, ligado apenas pelos filhos ou pela obrigação do matrimônio. E quão triste é isso.

Sei que meus pais ficaram mais tempo juntos do que queriam por causa de mim e da minha irmã, mas se divorciaram quando eu era bem novo. Desde então vejo esse assunto de forma muito objetiva e tento aplicar na minha vida: não quer, não quer. Antes pais divorciados que pais que não falam um com o outro.

E isso existe. Casamentos com amantes dos dois lados, filhos bastardos, sem amor, sem graça, sem sal. A vida adulta com filhos é mais complicada de se levar de forma ímpar, não tem com quem dividir tarefas, favores nem contas. Mas pelo menos é uma vida honesta. E nisso admiro pais e mães divorciados, na coragem. Na ousadia de imaginar uma vida diferente e um outro modelo de felicidade ou de busca por ela.

Achava curioso: quando meus pais se separaram, toda vez que eu mencionava o fato para alguém ouvia como resposta “ah, logo logo eles voltam”, como se isso fosse um consolo, uma esperança. Mas na verdade seria um castigo para eles, não? Se chegou no ponto de não querer mais, pra quê insistir? O que poderia invertar a vontade deles?

Em tempo: paralelo, acho muito lindo ver amigos e amigas casando e tendo filhos. Quando essas realizações são orgânicas, é saboroso. Você percebe de longe as famílias que são uma unidade familiar e as que são só pessoas que moram juntas.

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