Divinos devaneios

Há duas semanas, sentando na calçada de um bar aqui no bairro, vi passar uma mulher chamada Constance Belmar na rua. Na mão, vários envelopes lacrados com adesivos. “São poesias que eu faço”, disse ela. Depois contou como tem vergonha de sair por aí oferecendo seus escritos, mas que era uma maneira nova de aprender mais sobre o mundo e ela mesma se colocar nessa posição.

Cada envolpe tinha uma poesia com um tema diferente e o preço de cada uma era “o que você quiser pagar”. Escolhi da categoria “filosóficas” e paguei 2 reais:

Divinos devaneios

Se faz presente a melancolia
Soprando em minha vida eterna maresia
Com fortes tufões
Saudades explodindo corações
E no final do horizonte além
Não há nada, nem ninguém

Somente o árido deserto indiferente
A vida indo sempre em frente
Eu luto e não venço
E às vezes até penso
Que serei assim dissimulada
Rindo e chorando alucinada

Sendo poeta, vivendo em um mundo diverso
E é todo azul este meu universo
Cleopátra, Maria Madalena
Amando, santificando e dando pena
Rasgo a realidade e sonho gozando
O paraíso que estive sempre almejando

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