O pop tem razão: “Simple Kind of Life”

“Eu era deprimido pois ouvia música pop ou eu ouvia música pop pois eu era deprimido?”. Essa é uma questão de “Alta Fidelidade”, não sei se do filme ou do livro ou dos dois. O que interessa é que a dúvida é pertinente. Para tentar extrair dela algum divertimento – ou alguma sabedoria – criei essa categoria no blog para analisar músicas que fazem sentido pra mim.

“Settle Down”, esse clipe novo, me fez ouvir No Doubt de novo, uma banda que conhecia apenas as mais famosas. Baixei uma coletânea de singles e uma de lados-B. Descobri coisas muito ruins e coisas realmente brilhantes. Mas tem uma música em especial que eu já ouvia e já gostava que voltou a chamar minha atenção: “Simple Kind Of Life”.

Me isolo do mundo com grandes fones de ouvido no caminho do trabalho para casa e essa música durou alguns quarteirões. Foram quarteirões inteiros que passei arrepiado. No fim, olhos marejados, acredita?

Pra quem não conhece, a música fala sobre aquele nosso famoso desejo pela felicidade a dois, a vida perfeita em família, e como ou esse sonho vai ficando distante ou vamos ficando realistas. A letra é uma versão menos adolescente de “Don’t Speak”, talvez, mas não tão madura ainda quanto a de “Cool” – que na verdade é da carreira solo da vocalista.

“Por muito tempo, eu estive apaixonada. Não apenas apaixonada, estava obcecada por uma amizade que ninguém mais poderia tocar”, canta Gwen Stefani. E quem nunca passou por isso, né?

“E tudo o que eu queria eram as coisas simples, um tipo de vida simples. E tudo o que eu precisava era de um homem simples para que eu pudesse ser esposa. Agora, todas essas coisas simples são simplesmente complicadas demais para a minha vida. Como pude me tornar tão fiel à minha liberdade? Um tipo de vida egoísta”. Conclui a música. E Gwen canta com um tristeza tão real essa letra que é inevitável não ficar tocado.

Pra mim a música é sobre esse antagonismo de querer ser livre e ter raízes, querer ter uma vida familiar e viver isolado. Acho que ela me afeta pois sempre tive problemas com extremos que são igualmente prazerosos para mim: desde comer porcaria x comer comidas saudáveis até procurar um relacionamento sério x querer ficar sempre sozinho. E também, claro, por causa dos modelos familiares tradicionais forçados que presenciei enquanto crescia.

No final das contas não tem jeito: ter uma coisa, grande parte das vezes, significa não ter certas outras coisas. Do que você está disposto a abrir mão? Quais as consequências? Você vai aceitá-las? Sempre fui do tipo que prefere pagar pra ver do que ficar parado – mas as variáveis são muitas e esse tipo de pensamento às vezes gera mesmo um sentimento de culpa. Mas sei lá, isso fica pra outro post.

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