Cada mergulho é um flash

The-Bling-Ring-Official-Movie-Trailer2

Há quem pense que para invadir a mansão de uma celebridade milionária seja necessário um mapa da casa, assaltantes profissionais, roupas pretas, escutas, cordas e cortadores de vidro. Nada disso. Bastam meia dúzia de adolescentes, Google Maps, blogs de fofoca e uma porta ou janela destrancadas.

Em “The Bling Ring” a diretora Sofia Coppola conta a história de uma onda de roubos de Los Angeles do ponto de vista dos ladrões. Tudo começa com uma menina que tem como hobby testar se carros estacionados na rua estão trancados ou não – geralmente há uma surpresa naqueles que não estão: dinheiro, carteiras, bolsas e até cocaína. Disso para a vontade de testar a mesma coisa com casas foi um pulo.

Morando em Los Angeles, a cidade com mais artistas de cinema dos EUA, basta jogar num site de busca o nome da sua vítima e ver se ela está na cidade ou não. Ou seja, se a casa estará vazia. Não custa nada pegar seu carro e ver de perto a casa do Orlando Bloom, certo? Se a porta da cozinha estiver aberta, a gente entra e pega alguns relógios. Custa nada testar se Paris Hilton é tão burra quanto parece e deixa a chave de casa embaixo do tapete, né? E se você puder levar suas amigas juntos será ainda mais divertido.

E por aí vai. Conhecer a casa dessas celebridades que elas almejam ser se mistura com a adrenalina de roubar seus pertences – e, com isso, dividir um pouco de seu estilo de vida. Afinal, “coisas” são os únicos pontos em comum que elas conseguem ter com Angelina Jolie, por exemplo.

Não eram experts com anos de experiência em furtos: era um grupo de amigos que, de repente, tinha muito dinheiro, muitas roupas caras e muitas baladas na agenda, tudo bem documentando em várias fotos nas suas redes sociais. E, com isso, se viram rodeados de pequenos luxos (como entrar sem fila nas boates) e famas (como ter 800 novos amigos no Facebook de um dia pro outro). Um reflexo interessante e maximizado de uma grande parte de uma geração criada a mimos, remédios para DDA e filosofias new-age. O fato de que a verdadeira Paris Hilton topou aparecer no filme e cedeu sua verdadeira casa para as filmagens apenas completa esse círculo.

“The Bling Ring” é um caso curioso de filme com final óbvio que não achamos ruim. Seja pela matéria na Vanity Fair em que o longa foi baseado ou seja pelo próprio trailer, sabemos que todos terminam na cadeia. Mas é o “decorrer” do filme que importa. E se você achou “Em Algum Lugar” (Somewhere, 2011) muito parado, essa narrativa não deixa a desejar: conta a história com fluidez e rega tudo com o infame sotaque de Los Angeles, Kanye West no último volume e comportamentos que de tão inconsequentes chegam a ser engraçados. Ah, claro, e com Emma Watson no elenco, mais linda do que nunca.

No fim, é uma crônica poética sobre ladrões do séculos XXI. Não sei se um drama agridoce ou uma comédia de costumes ricos. Mas é bom.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s