Me encontra na catraca

Captura de Tela 2013-10-03 às 19.26.42Em “Harry & Sally, Feitos Um Para o Outro” (When Harry Met Sally…, 1989), o personagem de Billy Crystal tem uma teoria ótima sobre aeroportos: nunca, nunca, nunca leve sua nova namorada até eles.

Ele diz isso pois você nunca sabe ainda quanto tempo vai durar o relacionamento e isso evita que, daqui 5 anos, ela possa virar e falar: “porque você não me leva pro aeroporto mais?'”

Acho essa filosofia maluca hilária de tão precisa.

Há algo de especial em saber que alguém ao seu redor se importa o suficiente pra parar o dia dela para te levar até o aeroporto. É uma gentileza grande, pois o perrengue também é. Esse ato aparentemente pequeno parece estar ligado a sentimentos mais… profundos. Afinal, você leva sua namorada ao aeroporto; o cara do financeiro você leva até a estação de metrô, no máximo.

A filosofia só falha pois acho que o inverso, a volta, tem mais significados. Você descer de um vôo e ver alguém te esperando é muito mais bonito e íntimo. Não estou falando de ciceroneamento e plaquinhas com nomes de desconhecidos, mas sim de uma pessoa com sorriso no rosto e olhos inquietos para a porta da sala de desembarque.

Gosto de acreditar que não ligo pra isso, mas o último mês não foi bem assim. Ninguém estava me esperando em nenhum dos 4 aeroportos que passei. Não que eu tenha feito alarde sobre minhas idas e vindas, mas também não fiz mistério sobre meus horários e destinos. Mas, para ser justo, uma das viagens foi a trabalho e eu não devia estar esperando que ninguém aparecesse mesmo. Mas esse sentimento me é inevitável.

Por morarmos perto, eu e meu ex nos encontrávamos muito na catraca do metrô. A gente descia na mesma estação e dali íamos ao cinema, a um restaurante, a às nossas casas. Era um momento gostoso no fim do dia, um alívio para uma mente que passou o dia todo focada no trabalho.

Esse pequeno prazer sumiu no fim do relacionamento, claro. Mas foi substituído por vários outros tipos de prazer. Um exemplo dessa semana mesmo: desci e fui direto comprar o DVD de um show que queria, fui pra casa e assisti tudo, cantando alto e sozinho depois de um banho e comendo sanduíches que eu mesmo fiz.

Por causa desses momentos meus achei que tinha me encontrado e que aqueles prazeres de outrora não faziam falta de verdade. Até que, voltando pra casa ontem, vi ele na catraca do metrô. Esperando outro alguém.

Não corri nem correria até ele, ali, agora. Mas bateu: quero ter alguém me esperando no metrô. Quero esperar alguém no metrô. E esse alguém ainda não tem rosto – o que complica bastante o plano.

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