O pop tem razão: “Royals”

“Eu era deprimido pois ouvia música pop ou eu ouvia música pop pois eu era deprimido?”. Essa é uma questão de “Alta Fidelidade”, não sei se do filme ou do livro ou dos dois. O que interessa é que a dúvida é pertinente. Para tentar extrair dela algum divertimento – ou alguma sabedoria – criei essa categoria no blog para analisar músicas que fazem sentido pra mim.

Desde a primeira vez que ouvi “Royals” eu gostei. Primeiro da batidinha, depois do clipe – as imagens são lindas e acho que há algo inexplicavelmente poético em raspar o próprio cabelo. Aí comecei a prestar atenção na letra.

Basicamente é uma menina falando calmamente em como não se reconhece nas músicas de sua época e no estilo de vida almejado pelas pessoas ao redor. E me identifiquei com esse sentimento.

Ela canta sobre nunca ter visto um diamante ao vivo, não ter orgulho do seu endereço e sobre contar moedinhas no metrô a caminho das festas. E aí compara isso com as músicas que só falam sobre dentes de ouro, jatinhos, drogas no banheiro, ilhas, vestidos de festa, destruição de quartos de hotel – e até tigres em coleiras douradas.

E o refrão, mesmo que melancólico, comemora: nunca seremos da realeza. “Isso não corre no nosso sangue, esse tipo de luxo não é pra gente. Nós procuramos outro tipo de agitação”. Amei essa frase.

A razão de eu ser classificado como desanimado e blasé nos últimos tempos tem muito a ver com isso: entre uma baladinha com músicas bobas ou lugares com gente pedante – escravas do luxo ou da aparência do luxo -, prefiro ficar em casa. Sei das consequências ruins desse comportamento, mas ainda acho mais vantajoso. Por isso me identifiquei com “Royals”, acho.

E aí chega o plot-twist da minha obsessão com essa música: a menina que canta, Lorde, é uma criança. Tudo bem, ela nasceu em 1996, mas eu sempre tive dificuldade em gostar de músicos com idade inferior à minha – fisiológica ou intelectualmente -, mas com ela não tive preguiça alguma. Parece que ela está em um nível diferente e é irresistível essa mistura de Kanye West e Lana Del Rey – por mais estranho que isso possa parecer.

Eu estou por fora do que estão falando por aí dela, mas eu aposto (e torço) por um futuro musical longo.

Abaixo, a versão americana do clipe, em que ela aparece mais.

E agora alguns lives, alguns covers, uns remixes fodas e um mashup com M.I.A!

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6 comentários em “O pop tem razão: “Royals”

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