O quê que tem a margarina?

Estava apresentando alguns sucessos imbatíveis da música brasileira para um norte-americano. Fui dos clássicos, como Djavan e Tribalistas, aos ainda mais clássicos, como Molejo e Furacão 2000. No meio da bagunça musical toda, rolou um “Panis et Circenses” e achei legal ouvi-lo dizer: “Essa eu já conhecia!”

E aí ficamos lá ouvindo aqueles versos incríveis – “chega à choupana o campônio” -, e chegamos à “Baby”, uma letra que me deixava curioso desde a primeiríssima vez que ouvi.

Por que diabos eu preciso tomar sorvete na lanchonete? Mas, principalmente, o que eu preciso saber da margarina? Pensava: será que eles queriam falar “da cocaína” mas mudaram por causa da censura? Essa margarina me perseguia.

Aí achei o artigo “Os mutantes antropófagos” (de Rodrigo de Böer Trujillo) com a explicação abaixo e me contentei.

(…)

O verbo precisar, jargão do mundo consumista, é o que rege todo o desenvolvimento da letra da canção, formada por três estrofes, semelhantes em sua construção, que se resolvem sempre em refrãos com o mesmo modelo, mas com letras distintas. Todas as estrofes iniciam com a mesma frase: “Você precisa”, a partir da qual se desenrola a lista. Na primeira estrofe são citados objetos relativos à esfera essencial da economia, como a margarina, um alimento básico, e a gasolina, que rege muito das finanças do país – além de alimentar os desejados calhambeques dos mauricinhos paulistas -, e objetos do universo bon vivant dos jovens, como a canção “Carolina” de Chico Buarque, que fez um enorme sucesso na época, e as piscinas, construção recorrente em residências burguesas que denotam status e acabavam sendo o principal local a se realizarem as festas e comemorações.

Na segunda estrofe são citadas necessidades como o cumprimento do modismo de tomar sorvete nas lanchonetes, um modelo de comércio de refeições ligeiras importado dos Estados Unidos feito para ser o principal ponto de encontro de jovens, e ouvir canções de Roberto Carlos, líder do movimento da Jovem Guarda, que era o reprodutor por excelência dos modelos musicais importados em sua época.

Já a terceira estrofe tem uma quantidade um pouco maior de versos e uma dinâmica mais variada, tematizando principalmente a nova era de cultura de massas e expansão das comunicações, inclusive fazendo menção à necessidade do aprendizado da língua inglesa

(…)

Ok.

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