O pop tem razão: “Rooting For My Baby”

“Eu era deprimido pois ouvia música pop ou eu ouvia música pop pois eu era deprimido?”. Essa é uma questão de “Alta Fidelidade”, não sei se do filme ou do livro ou dos dois. O que interessa é que a dúvida é pertinente. Para tentar extrair dela algum divertimento – ou alguma sabedoria – criei essa categoria no blog para analisar músicas que fazem sentido pra mim.

Depois de semanas com os dois primeiros singles grudados no meu cérebro, finalmente baixei “Bangerz”, o novo CD da Miley Cyrus. É um popzinho perfeito pra ouvir na academia, me disseram, e foi lá mesmo que o ouvi pela primeira vez. Mas quando tocou “Rooting For My Baby” eu simplesmente parei de me mexer. Coloquei no repeat e fiquei ouvindo só essa música uma semana.

Ela tem um groove e um trabalho de backing vocals diferentes das demais faixas do disco. E a letra fala sobre como você acaba se comportando quando a pessoa que está do seu lado está estressada – e qual é a tática para confortar tal pessoa.

“Quando você acorda de manhã e eu já sei que não é o seu melhor dia, eu fico à direita, fora do seu caminho. Apenas espere, em um minuto isso vai passar” é a primeira linha da música. Vindo do mesmo álbum que gerou algumas polêmicas sobre objetificação da mulher, pode parecer uma auto diminuição.

Mas não é. Em seguida, no refrão,  canta-se: “eu sei, eu sei que você lida com muitas coisas e que a pressão te sobe à cabeça”, mas com um arzinho muito do superior. Parece uma mãe passando a mão na cabeça de um filho que chora por um problema que ela sabe que não é grave.

E ela justifica esse “fingimento” com as palavras que dão título à canção: I’m rooting for my baby. E parte da graça aqui é que não fica claro nas primeiras vezes se ela está torcendo pelo cara ou se está torcendo pelo seu filho – o que tornaria essa atuação apenas uma maneira de manter o casamento estável em nome da família.

Eu nunca achei que veria tantas camadas numa música da Miley Cyrus. Talvez eu esteja vendo coisa onde não tem, mas vale lembrar que a música foi escrita (e produzida) por Pharrell Williams. E vale lembrar também, claro, que música boa é que a que relaciona com a gente, com o significado que damos pra ela. “Ben”, do Michael Jackson, é sobre uma criança e seu rato de estimação – mas tem muita gente que casou com isso tocando de fundo.

Enfim. Não existe relacionamento perfeito e saber se portar diante de situações diferentes e de acordo com o que você sente versus como o outro se sente é um desafio diário. É como o cara da música diz depois de dobrar as mangas da camisa: é um longo caminho e há ainda muito mais para ir.

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