Me, my selfie and I

woman-selfish-selfie-new-york-post-219x219Selfie é a palavra de 2013. Essa palavrinha resume o ato de tirar uma foto de si mesmo, sozinho, uma coisa super popular em redes sociais como Facebook, Instagram e Snapchat.

Discussões sobre esse “fenômeno” são várias. Geralmente regadas de preconceitos sobre seu autor. Egocêntrico, egoísta, vaidoso e poser são alguns adjetivos que começam a chover de todo lado.

Não entendo bem o incômodo de ver alguém posando num espelho de academia. A pessoa quer mostrar que está forte/sarada e, enquanto tiver gente dando likes para esse tipo de foto, vai ter gente postando. Se eu acho isso legal é outra história. A questão na verdade é: não curte quem tira selfies? Não siga quem tira selfies. Seguir alguém numa rede social e querer pautar que tipo de coisa  o outro posta é um pouco cretino demais.

Mas antes de toda a discussão é importante lembrar: selfie não é novidade na internet. Selfie chamava egoshot e era o que movia todo o engajamento (e, consequentemente, vaidades e tubos de dinheiro) no Fotolog. Na verdade, selfie não é novidade em lugar nenhum, de polaroids a auto-retratos, é muito comum encontrar gente que se coloca como assunto principal de seu trabalho, sua arte e seu lazer.

Captura de Tela 2013-12-26 às 15.06.48

Mas uma coisa não pode se discutir: selfies funcionam. Se o objetivo é receber likes no Instagram, por exemplo, nada melhor que elas. Explico: na agência que trabalho tínhamos um cliente problemático em engajamento nas redes pois patrocinava eventos muito diferentes entre si (um show de diva pop e um show de heavy metal, por exemplo). A solução eram posts sobre o próprio produto – era ele quem unia todos, a única coisa em comum entre todos que seguiam a marca era exatamente o amor/admiração pela marca. Idem com selfies: você pode fotografar coisas que te interessam (placas, roupas, gatos), mas a única coisa que reúne todos os seus amigos é o interesse deles por você – não necessariamente pelas coisas que você gosta.

Como que apontar uma câmera pra sua cara e clicar (5 segundos) é mais egocêntrico do que pintar seu próprio rosto (5 dias)? Uma coisa é arte, a outra não, eu entendo. Mas essa discussão me dá preguiça, o preconceito com selfies e duck faces e regatas me dão preguiça.

Na verdade, me dá preguiça qualquer sinal de mimimi com atividades alheias. Deixar sua vida aberta na rede é convidar julgamentos, é até normal. Mas sabe aquele ditado “se não tem nada bom pra falar, fique calado”? As pessoas não seguem muito isso…

Dia desses me deparei com isso na minha timeline:

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E o prêmio de comentário mais preconceituoso de 2013 já tem vencedor.

Conheço quem postou, sei que a intenção foi de humor, mas não tem graça xingar quem não lhe fez nenhum mal. (É curioso o uso da palavra “vir”, insinuando que a Av, Paulista “é minha” é “de gente bonita”, e também o julgamento de que as fotos de quem vai ver a decoração de Natal na rua são ridículas. Ridículas pra quem? Pra muita gente são as fotos mais legais do ano, é o passeio mais legal do mês, é super, super, super divertido! Enquanto isso, com certeza, para alguém, as fotos tiradas pelo autor desse post acima é que são consideradas ridículas)

Colocar o seu ponto de vista como o único que importa é algo extremamente perigoso, é por causa disso que há tanto machismo, homofobia e racismo no mundo. Quem vê cara, não vê coração. Todos estão (ou deveriam estar) fazendo o melhor possível com as ferramentas que têm.

Eu me irrito (e muito) com várias coisas que testemunho nessa vida por aí. Mas tenho me controlado cada vez mais e resistido à vontade de ir lá criticar. Afinal, cada um faz o que quiser da sua vida e de suas redes.

Mas é triste ver tanta gente cuidando da vida alheia, não é? Eu me incluo nessa, claro, mas estou tentando cada vez mais tomar consciência disso e desacelerar. Torço para que mais gente esteja fazendo o mesmo.

Não sei vocês, mas eu quero lutar por uma internet (e um mundo) mais churrascão da galera e menos entrevista de emprego com dinâmica de grupo. Ou seja, um lugar onde você se reúne com quem você gosta e pode se sentir livre para ser você mesmo.

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4 comentários em “Me, my selfie and I

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