Empresas que não gostam de gays não merecem meu dinheiro

Tem muitas marcas que se posicionaram em suas redes sociais a favor de casamento gay e da criminalização da homofobia. Mas é complicado saber, daqui de longe, quais estão apoiando por acreditarem ou apenas para pagarem de boazinhas. Nem sempre dá pra saber se a empresa tem mesmo uma política inclusiva e/ou punitiva para comportamentos de preconceito. Mas o que dá pra saber com certeza, mesmo de fora, são as empresas que não estão nem aí pra essas causas. E meu dinheiro é muito importante pra mim pra entregá-lo para qualquer um, especialmente para alguém que está contra mim. Cansado de só falar disso em mesas de bar, listei alguns casos aqui.

Barilla

Captura de Tela 2014-11-07 às 11.51.41Guido Barilla, o presidente da marca de massas, declarou que não terá famílias gays nos comerciais de seus produtos e que quem tiver alguma coisa contra essa decisão deveria comer produtos de outra marca. Combinado! (link) Dois meses depois das ameaças de boicote internacional, ele voltou atrás e disse que estava aberto a conversar com líderes de movimentos GLBT e a empresa anunciou algumas mudanças na política de diversidade (link), mas né? Tem muita marca de macarrão no mundo.

Cinemark

Captura de Tela 2014-11-07 às 11.52.19Lembra da Prop 8? Era uma emenda que seria feita na California para voltar atrás e proibir casamentos gays por lá. Seria a primeira vez que iam alterar leis para tirar direitos de alguém! As campanhas contra e a favor dela foram enormes na época (2008) e Alan Stock, CEO da empresa, doou um bom dinheirinho para a campanha pelo “sim”, ou seja, contra os gays. Apesar da pressão da mídia e da ameaça de boicote, o Cinemark não se pronunciou sobre isso, mas disse que “não seria apropriado que a empresa tentasse influenciar seus funcionários sobre questões fora do ambiente de trabalho” (link). O que mais me irrita na questão do Cinemark é a hipocrisia de ter esse posicionamento mas não ter problema nenhum em encher o bolso de dinheiro exibindo “Milk”, “Brockeback Mountain” e vários outros filmes que pregam a tolerância ou falam de preconceito. Então meus centavos não vão mais pra lá, sorry.

Domino’s

Captura de Tela 2014-11-07 às 11.53.39O fundador da pizzaria, Tom Monaghan, contribui financeiramente para organizações que se opõem aos direitos LGBT. O presidente do conselho da empresa, David Brandon, também é pessoalmente contra casamento gay. E o CEO atual, Patrick Doyle, faz doações financeiras regulares para causas de direita e republicanas, tradicionalmente anti-gays (link). Aqui é mais a posição pessoal dos caras do que política da empresa, mas eu não quero meu dinheiro indo pra essa galera.

Exército da Salvação (The Salvation Army)

Captura de Tela 2014-11-07 às 11.54.34Por trás dessa organização sem fins lucrativos existe, na verdade, uma igreja evangélica (link). E, por isso, ela se acha “isenta da discussão”, já que lhes é permitido que preguem o fim dos gays e que eles podem se curar etc. A organização foi uma das protegidas do governo Bush e, segundo funcionários, apesar de não discriminar pessoas na hora de fazer suas doações, ela é bem taxativa na hora de fazer contratações: funcionários gays não têm lugar.

Sérgio K

skA marca de roupas criou estampas para a Copa do Mundo indicando que certos jogadores famosos eram gays (link). Apesar desse tipo de xingamento ser comum no futebol, não podemos aceitar nunca que passem isso pra frente. É ofensivo: ser gay não torna ninguém menos capaz ou inferior. Além disso, a marca criou blusas para a campanha de Aécio Neves (link), candidato conservador de direita que prometeu nas redes sociais “acompanhar com neutralidade as discussões sobre criminalização da homofobia” (ou seja, prometeu fazer NADA) e que tinha Malafaia e Bolsonaro apoiando sua candidatura. E qualquer um que tá junto desses dois está contra você.

Qualquer coisa russa

Putin, presidente do país, assinou um projeto de lei anti-gay, classificando “propaganda homossexual” como pornografia. A lei é ampla e vaga, de modo que qualquer professor que diz aos alunos que a homossexualidade não é errado pode ser preso. Mais de 70 pessoas foram presas por lá indo para um show da Madonna! Aliás, quando ela se pronunciou contra essa lei no palco, saiu do país com uma multa de 1 milhão de dólares nas costas. Nem mesmo um juiz, advogado ou legislador podem discutir publicamente sobre tolerância sem ameaça de punição. Como resposta, várias pessoas tem estimulado boicote a q-u-a-l-q-u-e-r produto importado da Rússia. (link) (link)

Sabe de alguma outra empresa que não tem sido muito legal com direitos gays? Tem algum link que prove que essas empresas acima mudaram suas políticas? Deixa aí nos comentários.

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8 comentários em “Empresas que não gostam de gays não merecem meu dinheiro

  1. […] O ativista e político americano Harvey Milk falava há muitos anos, lá nos anos 70, que o que era mais importante para o avanço de políticas de inclusão para minorias sexuais era, na verdade, algo simples: sair do armário. Deixar que seus familiares e amigos e colegas de trabalho saibam que você é gay é importante para que a formação da imagem que essas pessoas têm da comunidade gay seja mais ampla, para que elas saibam que quando elegem alguém que é contra gays, está elegendo alguém que é contra você. […]

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  2. Cinemark foi uma surpresa, mas engrossou ainda mais a minha repulsa junto a empresa que, além disto, ridiculariza estudantes e quaisquer outros clientes que tenham direito ao beneficio da meia entrada, dificultando desde a compra bem como o acesso as salas de exibição, se mudou não sei, porque tem um bom tempo que não no assisto nada na rede Cinemark em Belo Horizonte.

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