Pra mais perto.

Você estava sentado na porta do meu apartamento, no chão, no corredor, com as duas mãos na cara. Chorando, muito. Vermelho, molhado, sem conseguir abrir os olhos. Joguei minha mochila no chão e agachei ao seu lado perguntando o que houve. Você não respondia, apenas chorava mais. Te peguei o braço e coloquei no meu ombro para te impulsionar para cima e você foi ficando de pé, ainda meio largado. Foi parando de chorar enquanto eu fazia carinho com rapidez no seu braço te pedindo calma. Abro a porta, jogo tudo no meu sofá, menos você. Você eu trago pra mais perto. Te sento na minha cama e você se deita e fecha as pernas em posição fetal, quase. Faço o mesmo do seu lado, sem parar de acariciar seu braço, enquanto suas lágrimas vão molhando o lençol mas secando no seu rosto. Te peço calma de novo, te abraçando, e ficamos abraçados – pela primeira vez você retribui meu toque. Um toque que mantive escondido por tanto tempo exatamente por medo de falta de reciprocidade. Mas agora ele está na mesa e parece ter sido finalmente compreendido e bem aceito em seu todo. Te peço calma de novo, mais baixinho, e digo que tudo vai dar certo agora. Eu e você sabemos do que eu estou falando – e eu finalmente entrei no seu coração e você nunca mais foi embora da minha casa.

E aí acordei desse sonho. Agridoce que só ele.

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