A beleza das emoções que estão por vir

Vi de bem longe primeiro. Cheguei perto e constatei: ela era a menina mais bonita que eu já tinha visto na minha vida. Pelo menos pessoalmente – se eu desconsiderasse isso, talvez alguma atriz de filme indie ganhasse a disputa, mas tudo bem, eu tinha apenas aqueles poucos anos de idade que você se considera adulto e que adultos te consideram adolescente. Ficamos perto e, em alguns momentos, ficamos um dentro do outro. Ela estava sob minha pele, no seguinte sentido: eu sabia tudo sobre ela. O que ela gostava e detestava.

Demos as mãos e nunca me senti tão vivo. Um terminava as frases do outro, a gente pensava nas mesmas piadas e trocadilhos para fazer. Ela beijou meu braço quando uma abelha me picou. Eu segurei suas bochechas nas minhas mãos e disse que elas eram lindas – as bochechas e Maria. Ela começou a andar cada vez mais rápido. E eu corria do lado. Eu caí no chão algumas vezes, mas eu levantava. Mas ela foi esquecendo meu nome no final de setembro. E depois de passar o dia inteiro correndo, eu descansava sozinho em casa, ouvindo baladas dos anos 80 e todo aquele excesso de baterias com eco.

Sem mais nem menos ele pareceu. Ele falou para Maria como foi difícil achar uma pessoa que colocasse borboletas em seu estômago e paz em sua alma. Uma pessoa que não apenas tinha seu centro, mas que separava o próprio centro do centro dos outros, alguém que fosse independente emocionalmente.

“Te achei e as coisas nunca mais foram as mesmas”, ele disse. “Enquanto houver você do outro lado, consigo me orientar”, completou. Ele verbalizou em um minuto o que eu sentia há uma dezena de meses.

“Por enquanto, eu escondo o meu amor”, pensei lá. Mas agora Maria não pensa mais em mim. Ela já correu bastante, nunca mais vou alcançá-la. E, de verdade, se me falta energia pra acompanhar, que dirá para ganhar essa corrida. Deixem que eles corram, eu fico aqui. Parado ou caminhando. Dá tempo de ver mais coisas, de sonhar mais longe – e há a vantagem de que você não começa a suar tão cedo.

Eu sigo e acredito na beleza das emoções que estão por vir. E eu sou o mesmo menino que ela conheceu. Mas não sei mais se isso é uma coisa boa ou não para quem vier a seguir, me acompanhar nessa caminhada minha.

Ah.

What a season

to be beautiful

without a reason.

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