Vegetarianofóbico

Achei aqui uma conversa que aconteceu precisamente no dia 27 de março de 2012, quando eu era vegetariano, com um conhecido vegetariano. Tirando o nome dele (que mudei para Roberto) essa foi exatamente a conversa:

Gabriel:
E como vai a vida?

Roberto:
Maravilhosa. Um perfil de receitas culinárias vegan francês acaba de me seguir no twitter.
Quer alegria maior? Ganhei meu dia. E a sua?

Gabriel:
HAHAHAHA
Você é vegano?

Roberto:
Há seis anos. Na verdade, vegetariano apenas, porque ainda como mel e alguns (poucos) derivados do leite animal.

Gabriel:
Entendi
Legal
Admirável

Roberto:
Obrigado
Mas eu não faço isso pelos animais, não

Gabriel:
Ah não?

Roberto:
Faço porque eu curto mais meu metabolismo e meu equilíbrio físico pessoal assim. Eu curto o meu organismo livre da carne, mas, pra ser sincero, não acredito sequer na possibilidade de emancipação animal a essa altura. Acho que se a gente não comê-los, eles entrarão em extinção de todo jeito, porque não podem mais ser retornados à natureza. O impacto ambiental de soltar milhares de vacas numa floresta de repente é menor do que o de comê-las. .-. (só não quero ser eu a comê-las hauhauhau)

Gabriel:
Mas a ideia não é soltá-las.

Roberto:
Nenhuma outra ideia é viável. Mantê-las custa dinheiro. Quem investiria nisso sem ter nenhum retorno? Vaca, porco, galinha, etc não são animais domésticos.

Gabriel:
Sim, mas a ideia geral é diminuir o consumo pra diminuir a produção, não? Pra precisar nascer menos, pq precisa matar menos etc etc

Roberto:
Pois é.
Vamos reduzindo, reduzindo, reduzindo…
E quando acabar?

Gabriel:
Mas será que acaba? Acho que não. Só diminui.

Roberto:
Se nunca acabar, não faz sentido. Matar mil vacas não é melhor que matar duas mil. O crime é o mesmo.

Gabriel:
Matar mil ao invés de dois mil é menos mortes, oras.

Roberto:
Pra mim não significa nada. Se for um evento isolado, ok. Mas se for um hábito, ou seja, se diariamente mil forem mortas, não faz diferença…

Gabriel:
Claro que faz. E faz diferença pessoal e global. Só o fato da pessoa não se sentir parte da matança (pq não consome) faz diferença também.

Roberto:
…Inclusive porque a diferença de “sobreviventes” não será de sobreviventes, será de inexistentes. Menos vacas serão mortas porque menos vacas existirão pela lógica desse argumento.

Gabriel:
Mas é isso mesmo, depender menos delas. A ponto delas não “precisarem” existir.

Roberto:
Quem come carne não se sente parte da “matança”, porque pra essa pessoa, não há matança! E matá-las por não nascer e pra comer depois de nascida é um grande whatever.

Gabriel:
Ok quem come carne não se sentir parte da matança; mas estou falando de quem não come não faz parte.

Roberto:
Eu acho bem pointless essa questão, pra ser sincero. Eu costumo frequentar eventos veganos pra pegar receitas e etc. E eu conheço gente ótima neles também… Mas todas as vezes que há ativistas, eu sempre acho-os totalmente mirabolantes. Uma menina uma vez pediu a palavra no encontro passado para sugerir que criássemos santuários para cuidar das vacas emancipadas. E frisou a diferença entre esses santuários e zoológicos e o ponto alto do argumento dela era: “ouvi dizer que na Índia eles têm uns desses”.

Roberto:
Gabriel, vou sair aqui. Preciso estudar um pouco hoje ainda.
Abraços. Até mais ^^

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