Os 17 melhores projetos de nu masculino

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Introdução

É super, super comum ver mulheres reclamando de filmes pornôs. A esmagadora maioria deles é feito de homens para homens e, por isso, não são fiéis à realidade: mulheres não gozam tão facilmente quanto nesse tipo de filme, pra citar apenas um exemplo. E se esses vídeos fossem apenas entretenimento, tudo bem, mas todos sabemos que eles ultrapassam um pouco isso por serem o primeiro contato de muita gente com sexo. E essa objetificação da mulher nos pornôs é internalizada por vários homens, que vão e levam a vida achando que a realidade é assim.

Sinto que com gays é a mesma coisa. A grande maioria dos filmes pinta um cenário em que ficar de quatro é a única posição existente, em que sexo oral diz respeito apenas ao pênis, em que o passivo da relação sempre gosta de sentir dor ou ser humilhado, que todo gay é sarado e de cabelo liso, que todo cara gosta de gozada na cara, que todo entregador de pizza é gato – e por aí vai.

Mas apesar de tudo isso, devemos entender que a construção da identidade gay (do jeito que conhecemos hoje) está intimamente ligada à produção pornográfica. É complicado admitir isso, pois já somos um grupo que sofre muitos preconceitos e um dos principais deles é o de ser chamado de promíscuos – uma generalização tão errada quanto falar que todos os heteros são castos e virgens.

É que quando o movimento homófilo* começou nos anos 1950, o governo dos EUA não via diferença entre manifestos por direitos, publicações eróticas e fotografias pornográficas. Tudo era considerado ilegal e foram os pornógrafos que mudaram esse cenário por debaixo dos panos. Eles conheciam as restrições legais bem o suficiente para saberem como burlá-las e tinham dinheiro para enfrentar discussões públicas sobre obscenidade (o que acontecia bastante, já que trocar material considerado pornográfico dava até prisão).

*Homófilo: no início da luta pelos movimentos LGBT nos EUA, os líderes tentaram adotar o termo “homófilo”, por considerarem que o termo “homossexual” dava ênfase apenas ao lado sexual da atração por pessoas do mesmo gênero, enquanto “homófilo” frisava o amor.

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Uma das revistas de pose

No meio dessa bagunça toda de direito civis e confusões recorrentes sobre conceitos (tinha hetero na época que achava que se uma mulher o chupasse isso fazia dele gay!), as organizações homófilas tinham as suas publicações (a maioria com tiragem bem pequena), mas os pornógrafos criaram as chamadas “revistas de pose”, como Physique Pictorial e Tomorrow’s Man. Afinal, eles eram proibidos por lei de enviar revistas pornográficas pelo correio, então editores vendiam fotografias de corpos musculosos com pouca ou nenhuma roupa com a desculpa que elas serviam como referência a pintores ou desenhistas que queriam praticar o desenho da figura humana mas não dispunham de modelos vivos.

Importante dizer que nessa época, a mídia tradicional retratava os homossexuais como clinicamente doentes, depressivos e criminosos, por isso a pornografia dessa época (que hoje consideraríamos inocente) foi tão importante: ela oferecia um respiro de ar fresco no mundo de gays por todo o país. Homens que estavam no armário ou que moravam em cidades pequenas, fora de centros urbanos, viam esperança numa vida de normalidade e de amor a dois na forma de revistas e filmes de 8mm encomendados pelo correio.

Se você quer um nome pra pesquisar sobre tudo isso procure por Chuck Holmes, dono da Falcon Studios. Outro nome legal é Robert Mapplethorpe, que foi quem tirou a arte gay do gueto e colocou na galeria de arte. Nascido na Nova York dos anos 40, ele foi frequentador da cena sadomasoquista e de bares leather, mas também circulava na alta sociedade artística (foi amigo de Andy Warhol e Patti Smith, por exemplo).

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Sem título (nu frontal ao lado do mar), Wilhelm Von Gloeden, 1900

Mas ele não foi o primeiro a fazer arte com homens pelados, claro. E, na verdade, é complicado saber quem foi. Mas uma outra boa referência é o barão Wilhelm Von Gloeden, que foi um fotógrafo alemão do século XIX, pioneiro na fotografia ao ar livre com o uso do nu masculino. Ele usava elementos da Grécia antiga nas imagens que fazia à partir do ano 1880. Um homoerotismo inocente mas, certamente, à frente de seu tempo.

Então da capa da última revista Made In Brazil até a coluna Hot do blog Papelpop (para a qual eu já escrevi durante um ano, inclusive), todo mundo deve um pouquinho a todas essas pessoas citadas aqui. Por isso mesmo quis fazer essa introdução tão longa pra contextualizar um pouco a coisa: todos os projetos de nu masculino são legais e válidos, mas só existem por causa de milhares de pessoas que vieram muito, muito entes deles e os tornaram possíveis.

Mas chega de falação, vamos para a lista! Se você conhece algum projeto legal que não está aqui, mande nos comentários do post!

Chicos
O projeto é uma mistura interessante de conceitos e corpos: gays comuns são fotografados nus e questionados, em vídeo, sobre a relação que têm com seus corpos, sua sexualidade e primeiras experiências. Além do site, já gerou exposições e festas, e a ideia dos criadores Rodrigo Ladeira e Fábio Lamounier é transformar todo o material coletado em um livro e um documentário. (update: posei para o projeto!)

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Pornceptual
O projeto de Chris Phillips é pra ser mesmo sobre pornografia, com todas as letras. Mas a ideia é sair do óbvio, é fazer pornografia artística. E é isso mesmo que é feito. Vale muito conhecer e seguir. Além das propriedades online, há a revista Pornifesto, que pode ser comprada aqui.

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Snaps
O fotógrafo peruano Gianfranco Briceño criou a Snaps Fanzine via financiamento coletivo: ele mesmo diz que era para ser um portfólio, um zine de amigos posando, mas a repercussão transformou o projeto numa simples exibição natural (e menos vexatória) do nu masculino. Lindo, lindo!

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Flesh Mag
“Toda carne interessa”, diz o manifesto desse revista digital baseada no Rio de Janeiro que começou tem 4 meses para dar visibilidade à diversidade dos corpos masculinos para além dos moldes. Os cliques são dos fotógrafos cariocas João Maciel e Rafael Medina.

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Portis Wasp
Esse blogueiro escocês transformou seu Instagram em algo bem específico: ele só faz montagens de pessoas seminuas em cenários de filmes da Disney. Sexy e divertido ao mesmo tempo.

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Original Plumbing
Essa revista sobre a cultura trans está indo para sua 17a edição e sempre convida para as fotos todo mundo que estiver disposto a ser clicado. Aqui não há nu, a revista é, na verdade, sobre lifestyle e com matérias sérias e longas: já tiveram edições sobre selfies e o movimento trans no skate, por exemplo. É interessante para todo mundo relembrar que identidade de gênero não define gostos e nem caráter (e nem orientação sexual!), cada pessoa é completamente diferente da outra.

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Meat
Um britânico e um islandês são os donos dessa revista que já existe há 5 anos. O gosto pessoal dos fotógrafos é critério de escolha para os modelos das fotos das 15 edições de 44 páginas coloridas e não-retocadas.

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Misterabsurdo
Mister Absurdo é o alter ego do ilustrador Mario Gómez, que mora em Madri. Segundo ele, a ideia é mostrar com suas ilustrações que “tudo é possível”.

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Kink Magazine
De Barcelona, os fotógrafos Paco e Manolo já passaram da 23a edição dessa revista física totalmente voltada a nus masculinos e que dá preferência a pessoas com corpos normais: também tem homem perfeitinho e malhadão e com barba, claro, mas são minoria.

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Butt Magazine
Provavelmente a mais famosa dessa lista: a revista nasceu em 2001 e fez das páginas rosas um tradicional fundo para fotos sensuais e matérias bem legais. Na internet, o site da revista tem uma rede social e mapas  com indicações de points gays de grandes cidades.

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The Tenth Zine
Já a ideia desse zine dedicado à beleza negra é “recuperar a cultura afro-descente que a mídia tem nos roubado desde a invenção de Hollywood”, segundo o editor, Khary Septh, que também escreve para a VICE. A foto abaixo é da primeira edição; eles publicam duas por ano.

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Exterface Studio
Aqui não é exclusivamente masculino, mas tem muito homem bonito sensualizando nos ensaios e calendários dos fotógrafos franceses Stéphane e Julien, cujos temas variam muito. O de 2016, por exemplo, é uma revisita à mitologia grega.

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André Flexões
Esse projeto é totalmente independente e totalmente web, mas é legal exatamente pela falta de pós-produção: imagens caseiras de vários tipos de corpos, tudo bem explícito.

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Coitus
Essa famosa revista é all about modelos gatos. Apesar do nome, ela é vendida mais como uma publicação de moda e lifestyle que, necessariamente, um projeto erótico, e suas páginas são bem plásticas.

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Fábio da Motta
Os cliques do Fábio são muito legais, independente de em qual rede você vai segui-lo: de selfies até ensaios com terceiros, o corpo masculino está sempre em evidência de um jeito sexy e bem pouco óbvio.

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Minsoart
Amo esse perfil do Instagram pois ele sempre me faz rir ou refletir: são apenas montagens de coisas aparentemente muito diferentes, mas colocadas juntas de um jeito fluido que fica, geralmente, muito bonito ou, pelo menos, interessante.

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Hello Mr.
Lançada em abril de 2013 por Ryan Fitzgibbon a revista Hello Mr. já está na sexta edição e ficando tão famosa quanto a Butt Magazine, com matérias bem interessantes direcionadas a “homens que saem com outros homens”, como diz na capa. O Instagram deles é bem legal também.

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Se você conhece algum projeto legal que não está aqui, mande nos comentários do post!

Créditos
O uso das imagens do Snaps, Flesh e Pornceptual foram autorizadas pelos fotógrafos; a imagem do Chicos pelos criadores do projeto e modelo; as demais eu peguei direto de cada site ou rede social – se você é dono delas ou aparece nelas e quer que elas sejam removidas, deixe um comentário no post com seu pedido. A maior parte da pesquisa do texto de introdução foi do Marcio Caparica, também usada com permissão.

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10 comentários em “Os 17 melhores projetos de nu masculino

  1. Acho incrível o projeto The Lonely Project que tem no Instagram, um projeto brasileiro só com nus em preto e branco de homens clicados em suas casas, tudo de muitíssimo bom gosto. @thelonelyproject

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  2. Tem o projeto super bacana do Fernando Schlaepfer, #365nus. Tem fotos dele, da Camila Cornelsen e do Chicos na última edição da revista TPM, sobre nudez, tá incrível!

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