Eu achei seu namorado meio feio

Tudo que estou falando aqui também está no vídeo, mas eu fui falando de improviso e ficou confuso, então estou publicando aqui também.

Uns dois meses atrás adicionei no Facebook um menino, achei ele interessante e bonito (quem nunca fez isso, né?), mas não chamei ele pra sair de imediato. Por coincidência, nos vimos num evento na semana seguinte e lá eu dei “oi” pessoalmente. Foi uma conversinha rápida, mas achei ele ainda mais interessante e bonito, então chamei ele pra sair logo depois. Ah, mas ele tinha namorado. Puxa, eu não sabia e pedi desculpas. Ele não estava acompanhado no evento (pelo menos não na hora que o vi) e o perfil do Facebook não tinha status de relacionamento indicado. Foi um erro honesto e inocente, ele me desculpou com tranquilidade, e vida que segue.

No dia seguinte, ele compartilhou um meme que dizia “por incrível que pareça, eu sou monogâmico” (ou algo parecido com isso) e parecia muito uma indireta para mim. Na dúvida, todos os meus amigos falaram que devia ser, e pra eu deletar ele da minha rede. Pensei: “bom, eu adicionei pra chamar ele pra sair e nós não vamos sair nunca, talvez seja melhor eu deletar mesmo”.

Só que na semana passada nos vimos numa festa. Ele estava com vários amigos e tínhamos até alguns amigos em comum que eu não sabia. Levei um leve susto quando o avistei, mas nos cumprimentamos com grandes sorrisos e beijinho na bochecha, a vibe da festa estava ótima, não teve climão nenhum, todo mundo dançou junto um pouco até. Mais tarde, obviamente um pouco bêbado, eu comentei com um amigo que achava o namorado desse tal menino meio feio, que eles não combinavam, ou alguma coisa desse tipo. No dia seguinte, eu literalmente acordei com uma mensagem no chat do meu Facebook dizendo assim:

– Querido, da próxima vez que for comentar sobre o namorado dos outros, se olhe no espelho primeiro.

Era o menino que eu tinha deletado. E não interessa como ele ficou sabendo que eu falei isso, eu me senti um lixo. Sério, um lixo! Fiquei com tanta vergonha que eu não cabia em mim. Pedi mil desculpas, culpei a bebida, pedi desculpas de novo, falei que pediria perdão pessoalmente no futuro, pedi desculpas de novo, e o menino respondeu apenas que esperava que isso não se repetisse.

Eu passei a semana inteira pensando nisso. Quem eu penso que eu sou pra julgar o relacionamento alheio? E feio de acordo com qual referencial? Se eles se gostam e se acham bonitos, é isso que importa. Eu não tenho nada a ver com isso, eu não tenho que ter opinião alguma, muito menos verbalizá-la. Como eu pude ser tão idiota? A minha opinião não é necessária ou relevante.

Eu passei a semana inteira pensando nisso. Somos treinados pra julgar e é complicado separar um julgamento de uma opinião. Eu ter achado o cara feio não quer dizer nada, nem mesmo que ele é feio. Mas o estrago foi feito. Muitas vezes (muitas, mesmo) eu sei que eu fui esse cara, o cara do casal que as pessoas de fora olham e pensam: “nossa, nada a ver esses dois, esse cara é meio feio pro Fulano”. E eu sei como isso pode doer (e no meu caso, como isso me deixava ainda mais inseguro sobre o relacionamento). Com que direito eu passo isso pra frente e repito com os outros exatamente algo que já me fez tão mal? Eu devia saber melhor.

Eu passei a semana inteira pensando nisso, em como a gente é criado pra ser idiota uns com os outros, pra julgar os outros, as escolhas do outros. Em como a gente não pode viver em uma novela mexicana, com inimigas espalhadas pela cidade. Quem está contra a gente, está super unido – e a gente tem que se unir também: a gente não é concorrente um do outro, o mundo é mais que homem, cada um cuida da própria vida, cada um sabe o que lhe faz bem e ninguém de fora tem nadinha a ver com isso.

Mas a gente só lembra dessas coisas quando tem alguém querendo cuidar da nossa vida, né? Quando somos nós os falantes, os comentaristas, esquecemos dessa máxima e passamos pra frente esse comportamento que tanto odiamos quando fazem com a gente. E enquanto não somos pegos no flagra, não nos importamos. Não julgar é uma tarefa muito complicada, mas guardar nossos julgamentos é um pouco mais fácil. É um esforço consciente, mas é possível.

Eu passei a semana inteira pensando nisso e queria que você pensasse um pouco sobre isso também, por isso escrevi esse post e fiz esse vídeo.

hands

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